02/01/10
CIDADE DO VATICANO - O papa Bento XVI fez, nesta sexta-feira (1º), na missa que celebra a Solenidade de Maria, Mãe de Deus, e comemora o 43º Dia Mundial da Paz, duras críticas às guerras e à violência que atingem pessoas em todo o mundo.
A cerimônia foi iniciada às 10h locais (7h no horário de Brasília), na Basílica de São Pedro, e dela participaram também os embaixadores de diversos países junto à Santa Sé.
O Papa se dirigiu "aos que fazem parte de grupos armados de qualquer tipo" -- invocando o respeito pela vida humana e entre as pessoas, "nossos irmãos e irmãs" -- para pedir o fim dos conflitos. "A todos e a qualquer um digo que parem, reflitam e abandonem o caminho da violência!", exortou, dizendo que Deus ajudará quem tiver coragem de largar a luta armada.
Citando as vítimasrras", com faces marcadados conflitos, o Pontífice disse que o símbolo da ternura de Maria "encontra seu trágico contrário nas dolorosas imagens de tantas crianças e suas mães nas garras de violência e gues por fome e doenças, desfiguradas pela dor e desespero.
Ao referir-se aos "representantes dos povos no mundo", Bento XVI disse que "os rostos dos pequenos inocentes são um apelo silencioso à nossa responsabilidade: frente suas condições de desamparo, caem todas as falsas justificativas".
De acordo com o chefe máximo da Igreja Católica, a paz se iniciará a partir "de um olhar respeitoso, que reconhece no rosto do outro uma pessoa, qualquer que seja a cor de sua pele, nacionalidade, língua, religião". Para esse fim, todos devem "converter-se a projetos de paz, depor as armas de todos os tipos e se empenhar juntos a construir um mundo mais digno do homem".
Outro tema abordado pelo Papa foi a preservação ambiental, uma das bandeiras do pontificado de Bento XVI. "Se o homem se degrada, degrada-se o ambiente no qual vive", afirmou ao explicar que administrar com justiça e sabedoria os recursos naturais da Terra é condição indispensável para a paz.
"Há um nexo estreitíssimo entre o respeito do homem e a salvaguarda da Criação", acrescentou. "Se a cultura tende para um niilismo -- se não teórico, prático --, a natureza não poderá deixar de pagar as consequências".
O Papa falou sobre a recente Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP 15), que foi realizada em Copenhague entre os dias 7 e 18 de dezembro, e contou com a presença de uma delegação do Vaticano.
Segundo Bento XVI, o evento fez emergir mais uma vez "a urgência de orientações específicas a nível global", que devem andar passo a passo com "as escolhas dos indivíduos, das famílias e das administrações locais".
Sobre a cultura de respeito à natureza, o Pontífice declarou que é preciso investir nas crianças, de forma a fazer com que "o compromisso pelo meio ambiente possa se tornar verdadeiramente educação pela paz e construção da paz".
Ainda durante a celebração de 1º de janeiro, Bento XVI dirigiu votos de um bom 2010 ao presidente da Itália, Giorgio Napolitano. "A ele, às outras autoridades do Estado e ao inteiro povo italiano formulo todos os melhores desejos para o ano que se inicia".
Antes do início da celebração, a mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial da Paz foi lida para os fieis na Praça São Pedro. Sob o título "Se quiseres cultivar a paz, preserva a Criação", o texto foi publicado no último dia 15.
Fonte: DCI